Abstenção eleitoral em Portugal afecta jovens e menos escolarizados
Abstenção eleitoral em Portugal afecta jovens e menos escolarizados, conclui um novo estudo conduzido pelos investigadores João Cancela e José Santana Pereira, que auscultou 2 405 cidadãos entre o fim de 2021 e 2022.
Abstenção eleitoral em Portugal afecta jovens e menos escolarizados
O trabalho, intitulado «Abstenção Eleitoral em Portugal: Mecanismos, Impactos e Soluções», combinou inquéritos de opinião com grupos focais que envolveram 26 eleitores conhecidos por se absterem ou votarem de forma intermitente. Além da amostra de eleitores, foram ouvidos actores políticos da Assembleia da República, Parlamento Europeu e autarquias entre 2024 e 2025.
Os resultados confirmam que jovens dos 18 aos 30 anos, cidadãos com menor escolaridade, pessoas que recentemente adquiriram nacionalidade portuguesa, pertencentes a minorias étnicas ou sem casa própria registam menor propensão para votar. Pelo contrário, eleitores mais velhos, com níveis educativos elevados, de classes sociais superiores, proprietários de habitação e praticantes regulares de religião participam mais nas urnas.
Segundo os autores, estas variáveis socio-demográficas não explicam tudo: grupos mais escolarizados e religiosos sentem maior «dever cívico» e culpa quando faltam às urnas, elemento que reforça a participação. Outra conclusão distingue Portugal de outras democracias: os abstencionistas nacionais apresentam uma ligeira inclinação à direita. Defendem cortes fiscais e preferem ser representados por «cidadãos comuns» em vez de políticos profissionais, o que pode originar sub-representação do eleitorado mais conservador.
O contexto político de 2021-2022, marcado pela maioria absoluta do PS e pela relativa novidade de partidos como Chega e Iniciativa Liberal, poderá ter intensificado a abstenção nesse segmento, admite João Cancela. Contudo, em temas como imigração, equilíbrio público-privado na prestação de serviços ou prioridade ambiental face ao crescimento económico, não surgiram diferenças relevantes entre votantes frequentes e abstencionistas.
Imagem: Internet
O estudo também verifica maior mobilização em legislativas e autárquicas do que em presidenciais (sobretudo em recandidaturas) e europeias. Embora a taxa de participação apresente queda desde 1974, os investigadores lembram que o registo automático de cidadãos residentes no estrangeiro poderá inflacionar os números oficiais de inscritos. As legislativas de 2024, onde se registou subida de participação, podem apontar para uma inversão deste ciclo.
Informação detalhada sobre regras eleitorais pode ser consultada na Comissão Nacional de Eleições, organismo de referência em matéria de sufrágio.
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Crédito da imagem: PPulse
Fonte: PPulse