Alta por abandono no Barreiro resulta na morte de doente
Alta por abandono no Barreiro resulta na morte de doente. Um homem com doença hepática crónica faleceu dois dias depois de ter aguardado sete horas para ser observado nas urgências do Hospital do Barreiro, onde foi indevidamente registado como “alta por abandono”. O caso, ocorrido em fevereiro de 2024 e agora divulgado pela Entidade Reguladora da Saúde (ERS), levanta dúvidas sobre a proteção dos direitos dos utentes.
Sete horas de espera terminaram em erro administrativo
De acordo com a queixa apresentada pela nora do paciente, o doente deu entrada na urgência às 11h27. Quando a familiar regressou às 18h00, foi informada de que o médico lhe tinha dado alta. Desconfiada, insistiu em verificar a situação e acabou por encontrar o homem deitado numa maca em estado “deplorável”. Confrontado, o clínico admitiu ter chamado o nome do utente três vezes no corredor; perante a ausência de resposta, registou alta por abandono.
Hospital admite falha de comunicação
Em resposta à ERS, a Unidade Local de Saúde do Arco Ribeirinho (ULSAR) garantiu que a avaliação clínica, a terapêutica e os exames realizados foram adequados, mas reconheceu que a saída administrativa foi “inapropriada” porque a presença do doente não foi confirmada. O processo foi reaberto assim que o erro foi detetado, levando a nova observação médica. Ainda assim, o paciente viria a morrer 48 horas depois.
Regulador e IGAS investigam responsabilidades
No relatório do segundo trimestre de 2025, a ERS concluiu que o procedimento “não salvaguardou devidamente os direitos e interesses legítimos do utente”, exigindo medidas que assegurem cuidados integrados e atempados. A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) também abriu inquérito, confirmou a CNN Portugal.
Imagem: Internet
Hospital rejeita abandono do doente
Contactada pelo Notícias ao Minuto, a administração da ULSAR negou que o homem tenha morrido “esquecido numa maca”, alegação difundida por alguns meios de comunicação. A unidade afirmou estar limitada pelo sigilo profissional, mas manifestou disponibilidade para colaborar com a IGAS, tal como fez com a ERS.
O episódio reacende o debate sobre tempos de espera e comunicação interna nos serviços de urgência. Para acompanhar outros desenvolvimentos sobre o sistema de saúde português, visite a nossa secção País e mantenha-se informado.
Crédito da imagem: PPulse
Fonte: PPulse