Coliseu do Porto recebe estreia do Clube de Teatro Activista

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Coliseu do Porto recebe estreia do Clube de Teatro Activista

Coliseu do Porto recebe estreia do Clube de Teatro Activista esta quinta-feira, numa apresentação gratuita que assinala os 30 anos da Associação Amigos do Coliseu do Porto e propõe uma reflexão colectiva sobre o medo.

Coliseu do Porto recebe estreia do Clube de Teatro Activista

Dirigido por Pedro Lamares, com o apoio dos actores e músicos Carolina Rocha e Carlos Correia, o projecto junta 25 participantes de 18 a 82 anos provenientes de profissões e contextos distintos. A dramaturgia, construída em conjunto, foge a uma narrativa linear e recorre a textos de Alexandre O’Neill, Sophia de Mello Breyner, Jorge Sena e Eduardo Alves da Costa, articulados com recortes de imprensa e o ensaio “Morar o Medo”, de Mia Couto, que dá nome ao espectáculo.

Lamares explica que o alinhamento “começa praticamente pelo fim”: o poema “Perfilados de Medo”, de O’Neill, musicado por José Mário Branco, abre a sessão e introduz temas como guerra, silêncio, opressão e violência de género e contra crianças. A meio, um poema escrito por Alves da Costa durante a ditadura militar brasileira desencadeia um momento “explosivo” que simboliza o conflito armado; depois, a narrativa regressa ao nascimento para questionar a génese do receio colectivo.

Para o encenador, a actualidade do medo como ferramenta de manipulação social é evidente em ciclos históricos e encontra eco na ascensão da extrema-direita em vários países. “Há um projecto concertado para gerar caos através do medo, por vezes com narrativas falsas”, sublinhou, citando exemplos recentes na Europa e nas Américas. O objectivo da peça, contudo, não é doutrinar, mas provocar reflexão crítica no público.

A entrada é gratuita, mas o lugar tem de ser levantado previamente na bilheteira, com lotação limitada para a Sala do Ático do Coliseu. O Clube de Teatro Activista foi criado em Novembro de 2024 no âmbito do Serviço Educativo do Coliseu, reforçando a missão de manter viva “a memória de um espaço que pertence a todos” e de usar a arte como agente de mudança, recorda Miguel Guedes, presidente da associação.

De acordo com a UNESCO, iniciativas culturais participativas são fundamentais para fortalecer a consciência social e a cidadania, propósito que a estreia no Coliseu do Porto pretende cumprir.

Para saber mais sobre projectos culturais e iniciativas sociais em Portugal, visite a nossa secção País e continue a acompanhar as actualizações.

Crédito da imagem: Divulgação Coliseu do Porto
Fonte: PPulse

Vinicius Balbino
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Sou jornalista independente, dedicado a produzir informações claras, precisas e relevantes, sempre com olhar crítico e compromisso profissional com a verdade.

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