Financiamento público do jornalismo é dever do Estado
Financiamento público do jornalismo é dever do Estado, defende o Sindicato dos Jornalistas (SJ), sublinhando que, face à desinformação crescente, o apoio governamental deixou de ser tabu para se tornar responsabilidade democrática.
Financiamento público do jornalismo é dever do Estado
Em nota enviada à agência Lusa, o SJ reagiu aos alertas lançados por economistas como os prémios Nobel Joseph Stiglitz e Daron Acemoglu, que, após o Fórum sobre Informação e Democracia, em França, advertiram para um possível colapso do jornalismo de interesse público à escala global.
O sindicato recorda que o financiamento público dos media é prática consolidada em países como Países Baixos, Suécia e Noruega, garantindo pluralidade e robustez editorial. Para a estrutura sindical, governos que sustentam o jornalismo constroem sociedades «mais justas, equitativas e democráticas».
Ao rejeitar discursos populistas que classificam o apoio estatal como tentativa de “compra” de redações, o SJ argumenta que a verdadeira ameaça surge quando redações fragilizadas dependem de interesses económicos «obscuros». A vulnerabilidade financeira, adverte, compromete a independência editorial e expõe jornalistas à pressão.
Além dos riscos externos, a entidade aponta para salários mínimos pagos a profissionais licenciados ou mestres, situação que «desmotiva» e «empobrece» a prática jornalística. Os rendimentos baixos, associados a condições laborais precárias, constituem hoje «a maior ameaça» à profissão.
A explosão da Inteligência Artificial fragilizou ainda mais o sector, afirma o SJ. Por isso, considera «obrigação» dos governos nacionais e da União Europeia desenhar mecanismos de compensação que permitam às empresas de comunicação investir em adaptação tecnológica. A IA, insiste o sindicato, «é ferramenta, não substituto» do jornalista.
Imagem: Lusa
Portugal, acrescenta, possui «poucos jornalistas, poucos jornais, poucas rádios de informação». A resposta passará por ampliar redações, diversificar meios e assegurar regulação eficaz. Em 2023, o SJ propôs ao Governo uma campanha pública de sensibilização sobre a importância do jornalismo para a democracia, iniciativa que permanece em avaliação.
Na declaração conjunta, Stiglitz, Acemoglu e economistas como Philippe Aghion, Tim Besley, Diane Coyle e Francesca Brian alertam que «informação fidedigna» é o recurso-chave da economia do século XXI, tal como o vapor e o carvão impulsionaram a Revolução Industrial. Para estes especialistas, subsídios directos ou indirectos são vitais para que o jornalismo enfrente a concorrência «desleal» das grandes plataformas digitais.
O SJ concorda: investir no jornalismo é investir na qualidade da democracia, no combate à desinformação e na saúde da economia do conhecimento.
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Crédito da imagem: Lusa
Fonte: Lusa