O patriarca de Lisboa, dom Rui Valério, fez neste domingo um apelo direto aos recém-eleitos nas eleições autárquicas portuguesas, defendendo que o exercício do cargo público deve ter como centro a promoção da paz, da justiça social e da esperança. O líder católico afirmou que a sociedade atravessa “um momento decisivo” e que, por isso, os representantes escolhidos nas urnas precisam encarar o mandato como um “serviço político” voltado ao bem comum.
Ao dirigir-se aos autarcas vitoriosos, o arcebispo destacou valores que, segundo ele, sustentam a convivência coletiva: “a dignidade inviolável de cada pessoa humana, o valor insubstituível da família, a atenção aos mais pobres e vulneráveis e o cuidado com a casa comum confiada por Deus”. Para Valério, esses princípios devem nortear cada decisão administrativa.
O patriarca saudou “todos aqueles que foram eleitos para servir” as comunidades locais e agradeceu “a disponibilidade e generosidade” demonstradas por quem se propôs a dedicar tempo, talento e esforço ao interesse público. Citando o magistério social da Igreja, ele lembrou que a missão política é considerada “uma das formas mais elevadas de caridade” e que “o verdadeiro poder não se mede pelo domínio, mas pela capacidade de servir”.
Na mesma linha, dom Rui avaliou que “governar é cuidar”, o que implica escutar a população e procurar o bem de todos, “sobretudo dos mais esquecidos”. Ele manifestou confiança de que os recém-empossados exercerão o mandato “com espírito de serviço, diálogo e proximidade”, contribuindo para a construção de uma sociedade “mais justa, fraterna e solidária”.
As declarações ocorreram no contexto das 14ªs eleições autárquicas portuguesas, realizadas no domingo. O Partido Social Democrata (PSD) saiu vitorioso no pleito e recuperou a presidência da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP). Na capital, sede do Patriarcado, a coligação PSD/IL/CDS venceu o sufrágio, garantindo a permanência do social-democrata Carlos Moedas à frente da Câmara Municipal de Lisboa.
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Com as urnas apuradas, o líder religioso reforçou o pedido de que os gestores públicos mantenham o foco “nos mais pobres e vulneráveis”, condição que, na visão dele, legitima a autoridade de quem governa e promove a verdadeira transformação social.
Com informações de Portugal Pulse