O secretário-geral do Partido Socialista (PS), José Luís Carneiro, informou, nas primeiras horas desta quarta-feira (15), que a bancada socialista irá optar por uma “abstenção exigente” na votação do Orçamento do Estado para 2026 (OE2026). A decisão, segundo o dirigente, busca “assegurar a estabilidade política” em Portugal, ao mesmo tempo em que expressa críticas à proposta apresentada pelo Governo.
A posição foi divulgada após o encerramento da reunião da Comissão Política Nacional do PS, realizada na noite de terça-feira e estendida até a madrugada. No encontro, o tema central foi justamente a estratégia do partido diante do próximo orçamento. Antes desse debate interno, na própria terça-feira, Carneiro já havia se reunido com o grupo parlamentar socialista para colher impressões sobre o assunto.
De acordo com o líder partidário, tanto na reunião da Comissão Política quanto na conversa prévia com os deputados houve “manifestação geral de apoio” ao caminho da abstenção. Carneiro qualificou a postura como “exigente” porque, embora o PS não pretenda votar contra o documento, também não reconhece o OE2026 como sendo alinhado às suas prioridades programáticas.
Críticas sem bloqueio ao orçamento
Ao comentar os argumentos que pesaram na decisão, o secretário-geral ressaltou que o orçamento “não é do PS” e apontou diversos pontos que considera passíveis de aperfeiçoamento. Entretanto, evitou detalhar publicamente cada item criticado. Para Carneiro, a manutenção da governabilidade nacional fala mais alto neste momento do que a rejeição total à proposta orçamental.
O dirigente reiterou que o posicionamento socialista não significará carta-branca ao Executivo. Conforme explicou, a sigla acompanhará a tramitação do OE2026 de maneira minuciosa, apresentando sugestões de emendas e cobrando ajustes sempre que considerar necessário. “Não abdicar da exigência” foi a expressão utilizada para sublinhar o grau de vigilância prometido pelo partido.
Estabilidade como critério principal
Carneiro sublinhou ainda que o PS entende ser fundamental preservar a estabilidade institucional do país, sobretudo em um contexto em que a aprovação do orçamento se converte em instrumento chave para assegurar previsibilidade econômica e social. Nesse sentido, a abstenção surge como solução intermediária: evita um voto favorável que legitimaria integralmente a proposta do Governo, mas também impede que o documento seja travado, o que poderia desencadear impasses políticos mais amplos.
Com a orientação partidária definida, caberá agora aos deputados socialistas materializar a “abstenção exigente” nas votações em plenário, processo que deverá se estender pelas próximas semanas até a deliberação final. Carneiro concluiu sinalizando que o diálogo com outras forças parlamentares poderá ocorrer, desde que contribua para “melhorar” o texto do OE2026, mantendo, contudo, a coerência da posição oficialmente adotada pelo PS.
Com informações de O MINHO