Reconhecimento de Palestina reforça estabilidade, diz PM
Reconhecimento de Palestina reforça estabilidade, diz PM foi a mensagem central levada esta quarta-feira por Luís Montenegro ao debate quinzenal na Assembleia da República. O primeiro-ministro confirmou que Portugal vai reconhecer formalmente o Estado da Palestina, medida que, garante, “serve o interesse nacional” e pretende “contribuir para um Médio Oriente mais estável e para uma comunidade internacional com menos conflitos e maior atenção aos direitos humanos”.
Alinhamento diplomático e histórico da AD
Perante as críticas de Paulo Raimundo, secretário-geral do PCP, que considerou o reconhecimento tardio, Montenegro recordou que governos da Aliança Democrática (AD) já tinham apoiado a causa palestiniana em momentos decisivos. Apontou o voto favorável de 2012, quando Portugal defendeu a participação da Autoridade Palestiniana como observador na Assembleia-Geral das Nações Unidas, e o voto, na última legislatura, a favor da adesão plena da Palestina.
“Agora, foi novamente um executivo da AD que decidiu reconhecer o Estado da Palestina”, sublinhou, assumindo a meta de revitalizar o processo de dois Estados. O chefe do Governo fez ainda questão de frisar que Portugal mantém “total respeito por Israel”, qualificando-o como “país democrático e amigo”, embora discorde de algumas decisões de Telavive.
Condições e concertação internacional
Respondendo ao deputado Rui Tavares, do Livre, que saudou a iniciativa mas pediu um embargo total de armas e suspensão do acordo UE-Israel, Montenegro explicou que o reconhecimento foi condicionado ao cumprimento, pela Autoridade Palestiniana, de compromissos definidos numa ofensiva diplomática envolvendo Portugal, França, Reino Unido, Luxemburgo, Canadá e Austrália.
Segundo o primeiro-ministro, esses compromissos — entre Julho e Setembro — abrem caminho a sinais de normalização entre Israel e vários Estados árabes. Caso se confirmem, “podem contribuir de forma decisiva para a paz, o respeito pelos direitos humanos e a coexistência de dois Estados”.
Para contextualizar o quadro internacional, o governante citou o papel da Organização das Nações Unidas na mediação e sublinhou que uma solução duradoura exige diálogo multilateral e coragem política.
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Debate parlamentar e crítica interna
Montenegro rejeitou a acusação de “falta de coragem” lançada pelo PCP, afirmando que os governos apoiados pela geringonça “nunca avançaram para uma decisão concreta”. Reforçou ainda que o reconhecimento é parte de uma estratégia “coordenada e responsável”, focada na estabilidade regional e no equilíbrio das relações externas de Portugal.
Rui Tavares reiterou o apelo a medidas adicionais, mas o executivo prefere avaliar a evolução no terreno antes de adoptar sanções mais duras. Montenegro concluiu que “Portugal já deu o passo decisivo que outros evitavam” e que continuará a acompanhar “de perto” o desenrolar dos acontecimentos.
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Fonte: PPulse