Reitor da Universidade do Porto relata ameaças físicas

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Reitor da Universidade do Porto relata ameaças físicas

Reitor da Universidade do Porto relata ameaças físicas sofridas por si e pela família para autorizar a entrada de 30 candidatos em Medicina que não atingiram a nota mínima de 14 valores, revelou hoje António de Sousa Pereira na Comissão Parlamentar de Educação.

Ameaças e pressões “de nível mafioso”

Perante os deputados, o reitor descreveu contactos insistentes, telefonemas anónimos e e-mails de alegados escritórios de advogados que exigiam a validação das matrículas. «Recebi chamadas de mães em desespero e de uma senhora que se dizia advogada dos estudantes», relatou, acrescentando que as intimidações «chegaram a um nível mafioso» ao envolverem perigos físicos contra si e a família.

Controvérsia sobre as vagas em Medicina

O caso remonta a Julho, quando a Reitoria travou a admissão de 30 concorrentes ao Mestrado Integrado em Medicina da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) por falta da nota mínima exigida. Outros sete candidatos, com classificação igual ou superior a 14, mantiveram o direito à vaga. Segundo Sousa Pereira, qualquer alteração à decisão terá de ser imposta pelos tribunais ou pela tutela, pois «jamais validaria uma ilegalidade».

Suspeita de falsificação documental

O responsável universitário revelou ainda que uma docente da comissão de selecção informou não ter participado nem assinado a acta que legitimava as colocações, o que, no seu entender, configura crime de falsificação de documento. A informação foi encaminhada para o director da FMUP e poderá agravar o inquérito já em curso no Ministério Público, confirmado a 18 de Setembro.

Reacções e investigação em curso

A divulgação do caso pelo semanário Expresso a 5 de Setembro “melhorou substancialmente” a qualidade de vida do reitor, que viu as ameaças cessarem. No mesmo dia, a Federação Académica do Porto pediu averiguações internas para apurar porque foram 30 candidatos informados da entrada sem aval reitoral. Os candidatos afirmam ter sido prejudicados, alegando mudança de cidade, renúncia a empregos e investimentos imobiliários.

Perante os deputados, Sousa Pereira aconselhou os candidatos com classificações inferiores a 14 valores a recorrerem aos tribunais «sem recorrer a ameaças», reiterando que a decisão da Reitoria se mantém.

No seguimento deste tema, leia também a nossa análise sobre o impacto das decisões judiciais no ensino superior em Política e continue a acompanhar as actualizações.

Crédito da imagem: PPulse
Fonte: Lusa

Vinicius Balbino
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